Especial: (2) O Conselho Eterno de Deus por John Gill

terça-feira, abril 11, 2017



(John Gill)
Eu agora considerarei as operações e transações entre as três Pessoas Divinas quando sozinhos, antes do início do mundo, ou que qualquer criatura existisse. Estes são principalmente o Conselho e Aliança de Deus em relação à salvação dos homens. Estes geralmente são unificados pelos teólogos... Mas eu acho que eles devem ser distinguidos e Conselho deve ser considerado como condutor, preparatório e introdutório à Aliança, embora ambos sejam de uma data eterna.

Eu começarei com o conselho de Deus, realizado entre as Três Pessoas Divinas – Pai, Filho e Espírito Santo – sobre o assunto da salvação do homem antes que o mundo existisse... Para dar alguma prova de que havia um conselho entre as Pessoas Divinas relativo à salvação dos homens, um argumento a favor disso pode ser retirado do propósito de Deus, Cujos os propósitos todos são chamados de Seus conselhos porque são fundamentados na mais elevada sabedoria (Isaías 25:1). Agora, o propósito de Deus sobre a salvação dos homens é a base e o fundamento do conselho realizado a seu respeito, no qual propósito, bem como conselho, todas as três Pessoas estão envolvidas. Pois o plano de salvação, que é “a multiforme sabedoria de Deus”, é “de acordo com o propósito eterno que ele [Deus Pai] estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor”(Efésios 3:10-11).
Não apenas o Filho estava envolvido neste propósito ou conselho e com ele concordou, mas o Espírito também estava, Aquele que penetra “as profundezas de Deus”(1 Coríntios 2:10) e os aprova, que não são outros senão os propósitos e desígnios de Seu coração.

Parece que havia uma consulta realizada sobre a salvação dos homens a partir do Evangelho, o que é uma exposição e declaração do plano de salvação. Isto é chamado de “conselho de Deus”(Atos 20:27) e “a sabedoria de Deus”, a sabedoria oculta ordenada antes do mundo (1 Coríntios 2:6-7), pois isto não é outro, de fato, senão uma transcrição do Conselho e Aliança da Graça. A soma e substância da palavra e ministério da reconciliação é esta transação eterna entre Deus e Cristo a respeito dela... Que houve um acordo deste tipo entre o Pai e o Filho, que com propriedade suficiente pode ser chamado de “conselho de paz”(Zacarias 6:13), nós temos garantia suficiente a partir de 2 Corín-tios5:19: “Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados”, por “mundo”, intenciona-se os eleitos de Deus, que Ele tanto amou que deu o Seu Filho para ser o Salvador e a vida daqueles por quem Cristo entregou a Sua carne (João 3:16; 6:51). E sobre a paz e a reconciliação daqueles, ou de que forma faz a paz e expiação por eles, Deus estava em Cristo ou com Cristo, consultando, efetuando e planejando o esquema disso, que era este: não imputar os seus pecados a eles, mas a Cristo, agora chamado para ser o Salvador deles. Isto contém a soma do que queremos dizer com o conselho de paz. Eu continuo... para observar que as três Pessoas Divinas: Pai, Filho e Espírito e eles somente, foram envolvidos neste conselho:

Jeová o Pai, a primeira Pessoa em ordem de natureza, embora não em tempo, pode-se razoavelmente supor que liderou este assunto... Ele que – sobre a criação do homem, propôs isto às duas Pessoas – pode com propriedade mover uma consulta sobre a Sua salvação. Ele é o Ancião de dias, com Quem está a sabedoria e Quem tem conselho e entendimento. Sim, Ele é de admirável em conselho, bem como excelente em obra, e assim infinitamente apto para conduzir um caso desta natureza (Jó 12:12-13; Isaías 28:29).

Jeová, o Filho teve a mesma sabedoria, conselho e entendimento de Seu pai; pois tudo o que [o Pai] tem é Seu, nem Cristo pensou em ter por usurpação ser igual a Ele (Filipenses 2:6). Ele é a própria sabedoria... Ele é possuidor de sabedoria consumada. NEle, como mediador, estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. Ele mesmo diz: “Meu é o conselho, e a verdadeira sabedoria” (Provérbios 1:20; 8:14; Colossenses 2:3). Sim, Ele é chamado de “Maravilhoso, Conselheiro”(Isaías 9:6), o que não apenas estima a Sua capacidade e habilidade para dar o melhor conselho e avisos para os homens, como Ele o faz, mas para assistir ao conselho do próprio Deus... Cristo o Filho de Deus era como um gerado de Seu Pai Divino, repousava em Seu seio, estava a par de Seus sinais, e devia estar em Seu conselho. Cristo, era em toda a consideração apropriado para isso.

O Espírito Santo teve um envolvimento neste Conselho e era adequado para isso... Ele não é apenas o Espírito de sabedoria aos homens... mas Ele é o Espírito de sabedoria, entendimento, conselho e conhecimento para e descanso em Cristo como Mediador (Isaías 11:2). Portanto, Ele deve ser uma Pessoa muito apropriada para envolver-se com o Pai e o Filho neste grande conselho. Pois nunca um tal conselho como este fora realizado, entre tais Pessoas, e sobre um assunto tão importante e interessante. O que é o próximo... a ser considerados mais particular e distintamente.

Agora, o assunto consultada não foi meramente sobre a salvação dos homens, nem quem seriam as pessoas que deveriam ser salvas nele... Mas [este foi sobre] quem deveria ser o Salvador ou o autor desta Salvação. Uma pessoa adequada para esta obra nunca poderia ter sido concebida, descoberta e estabelecida sobre os homens e anjos: este foi o negócio deste grande conselho.

Pelo decreto da Eleição, os vasos de misericórdia foram preparados para a glória ou foram ordenados para a vida eterna. Deus resolveu ter misericórdia deles e salvá-los... O caso fica assim: ocorreu nos pensamentos de Jeová o Pai salvar os homens por meio de Seu Filho. Ele, em Sua infinita sabedoria viu [Seu Filho como] a pessoa mais apropriada para esta obra e em Sua própria mente O escolheu para isso... Agora no conselho eterno, Ele moveu e propôs isso ao Seu Filho, como o passo mais oportuno para operar a salvação planejada. [Seu Filho] prontamente concordou com Ele e disse: “Eis aqui venho (No princípio do livro está escrito de mim) Para fazer, ó Deus, a tua vontade”(Hebreus 10:7) a partir do Salmo 40:7-8. O Espírito Santo manifestou Sua aprovação dEle como a pessoa mais apropriada para ser o Salvador juntando-se com o Pai na missão dEle, como antes observado, e através da formação de Sua natureza humana no tempo e enchendo-O com Seus dons e graças, sem medida (João 3:34). O prazer e a satisfação das três Pessoas Divinas, neste caso, foram, assim, deliberados, consultados e aprovados sendo mais claramente vistos e observados no batismo de nosso Senhor (Mateus 3:16-17).

Mas não foi neste conselho apenas consultado quem deveria ser o Autor da salvação, mas também de que forma e maneira isto poderia ser efetuado – tanto para a segurança dos homens e para a demonstração da glória das perfeições Divinas.

Agora, deve ser observado que os eleitos de Deus – as pessoas a serem salvas – foram considerados nesta operação como criaturas caídas, o que a salvação por Cristo supõe; como pecadores em Adão, a quem o julgamento veio para a condenação; como ofensores às maldições da Lei justa e aos ressentimentos da Justiça Divina. Portanto, a satisfação deve ser feita à Lei e à Justiça de Deus: a Lei deve ser cumprida e a Justiça satisfeita por uma expiação.

Isto foi significado como o fundamento do Salvador, que aprovou isso como uma coisa mais apropriada a ser feita. Assim, Deus, sendo gracioso, disse: “Encontrei um resgate”(Jó 33:24). Isto foi estabelecido por infinita sabedoria neste conselho; e que este resgate, satisfação e expiação, seriam feitos obedecendo aos preceitos da Lei e pelo sofrimento da morte, a penalidade disso, que a Lei exigia do seu transgressor: “Tu certamente morrerás”, e assim o Fiador por ele. Portanto, uma vez que era necessário que o Capitão e Autor da salvação, trazendo muitos filhos à glória, devesse ser aperfeiçoado por meio de sofrimentos; era adequado que assumisse a natureza na qual Ele seria capaz de obedecer e sofrer, até mesmo uma natureza do mesmo tipo daqueles que pecaram. Isto foi notificado no conselho para o Filho de Deus, e Ele aprovou como correto e adequado e disse: “Um corpo me preparaste”(Hebreus 10:5), uma natureza humana completa, em propósito; e agora no conselho, Ele significou que Ele estava pronto para assumir isto em tempo.

Além disso, pareceu adequado e oportuno que a natureza humana assumida deveria ser santa e pura, sem pecado, para que se oferecesse sem mácula a Deus e fosse um sacrifício para retirar o pecado, o que não poderia ocorrer, se fosse pecador. Agora, aqui surge uma dificuldade, como tal natureza pode ser obtida, uma vez que a natureza humana seria contaminada pelo pecado de Adão. Quem seria capaz de “trazer uma coisa pura de uma impura”(Jó 14:4)? A Sabedoria Infinita supera essa dificuldade, propondo que o Salvador seria nascido de uma virgem; para que esta natureza individual a ser assumida não descendesse a partir de Adão por geração ordinária, mas seria formada de maneira extraordinária pelo poder do Espírito Santo. Isto foi aprovado em Conselho tanto pelo Filho e o Espírito, uma vez que Um prontamente assumiu esta natureza, desta forma, e o Outro a formou.

Mais uma vez, considerou-se necessário que essa natureza fosse tomada em união pessoal com o Filho de Deus, ou que o Salvador deveria ser Deus e homem em uma Pessoa; que Ele fosse homem para que Ele pudesse ter algo a oferecer e pelo que expiar os pecados do povo; e que Ele fosse Deus para oferecer virtude aos Seus atos e sofrimentos, para torná-los eficazes para os propósitos deles, e Ele fosse um Mediador apropriado em forma, um árbitro, entre Deus e os homens, para cuidar das coisas que pertencem a ambos.

Em suma, o assunto... consultado entre as três Pessoas Divinas foi a paz e a reconciliação dos eleitos de Deus por Cristo e a maneira e forma de fazer isso. Portanto, como antes observado, este acordo pode ser chamado com muita propriedade de Conselho de Paz.


Fonte:

Extraído de Um Tratado Completo de Doutrina da Divindade Deduzida a partir das Escrituras, Baptist Standard Bearer.



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