Especial: (4) A Intenção da Morte de Cristo por John Owen

sexta-feira, abril 14, 2017

(John Owen)


Pela finalidade da morte de Cristo, queremos dizer, em geral, tanto, em primeiro lugar, aquilo que o Seu Pai e Ele intencionaram com isso; e, em segundo lugar, o que foi efetivamente preenchido e realizado por isso. Sobre o que nós podemos obter uma breve visão a partir das expressões usadas pelo Espírito Santo:

PRIMEIRAMENTE: Vocês querem conhecer a razão final e a intenção para que Cristo veio ao mundo? Peçamos a Ele, que conhecia Sua própria mente e todos os segredos do seio de Seu Pai, e Ele vai nos dizer que “o Filho do homem veio salvar o que estava perdido” (Mateus 18:11), para resgatar e salvar pobres pecadores perdidos. Essa foi sua intenção e projeto, como é novamente afirmado em Lucas 19:10. Pergunte também aos Seus apóstolos, que conhecem Sua mente, e eles vos dirão a mesma coisa. Assim, Paulo: “Esta

é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores”(1 Timóteo 1:15).

Agora, se vocês questionarão quem aqueles pecadores são em relação àquele Ele que teve esta graciosa intenção e propósito, Ele vos diz que Ele veio para “dar a Sua vida em resgate de muitos” (Mateus 20:28), em outros lugares nos chamam, crentes, que se distinguem do mundo. Pois Ele “deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de Deus nosso Pai”(Gálatas 1:4). Essa foi à vontade e intenção de Deus, que Ele pudesse dar a si mesmo por nós para que pudéssemos ser salvos, sendo separados do mundo. Eles são a Sua Igreja: “Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível”(Efésios 5:25-27). As últimas palavras expressam também o próprio objetivo e finalidade de Cristo em dar a Si mesmo por alguém: para que eles sejam aptos para Deus e trazidos para perto dEle. À semelhança do que também é afirmado: “O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniquidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras” (Tito 2:14).

Assim, claro, então e aparente é a intenção e concepção de Cristo e Seu Pai nesta grande obra – o que foi isto e em direção a quem, ou seja, para nos salvar, para nos libertar do mal do mundo, para nos limpar e nos purificar, para nos fazer santos, zelosos, frutíferos em boas obras, para nos tornar aceitáveis, e para nos conduzir a Deus. Por intermédio Dele, “temos acesso pela fé a esta graça na qual estamos firmes” (Romanos 5:2).

Além disso, o efeito e o produto da obra em si, ou que a obra é realizada e cumprida pela morte, derramamento de sangue, ou oblação de Jesus Cristo, não é menos claramente manifestado, mas é tão pleno e, muitas vezes, mais distintamente expresso [pelo seguinte]:

Primeiro, a reconciliação com Deus ao remover e matar a inimizade que havia entre Ele e nós. Pois, “porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho” (Romanos 5:10). “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação” (2 Coríntios 5:18). Se vocês gostariam de saber como esta reconciliação foi efetuada, o apóstolo nos dirá que: Ele na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades “(Efésios 2:15-16), assim, que “ele é a nossa paz”(Efésios 2:14).

Em segundo lugar, a justificação por tirar a culpa pelos pecados, obtendo a remissão e perdão deles, redimindo-nos do poder deles, com a maldição e ira devido a nós, por causa deles. Pois “por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção” (Hebreus 9:12). “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós” (Gálatas 3:13). “Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro”(1 pedro 2:24). Pois todos “pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos” (Romanos 3:23-25). Pois, nEle “temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados” (Colossenses 1:14).

Em terceiro lugar, a santificação ao purificar a impureza e contaminação por nossos pecados, renovando em nós a imagem de Deus, e suprindo-nos com as graças do Espírito de santidade. Pois, “o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?” (Hebreus 9:14). Sim, “o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado” (1 João 1:7). Ele “havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados” (Hebreus 1:3). Para “santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta” (Hebreus 13:12). Ele deu a si mesmo pela Igreja, para a santificar, purificando-a para que ela seja santa e sem defeito (Efésios 5:25-27). Peculiarmente entre as graças do Espírito, “a vós vos foi concedido, em relação a Cristo... crer nele”(Filipenses 1:29), Deus nos abençoa nEle com “toda bênção espiritual nos lugares celestiais”(Efésios 1:3).

Em quarto lugar, a adoção, com aquela liberdade evangélica e todos os gloriosos privilégios que pertencem aos filhos de Deus, pois “Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos” (Gálatas 4:4-5).

Em quinto lugar, os efeitos da morte de Cristo não descansam aqui. Eles não nos deixam até que estejamos estabelecidos no céu em glória e imortalidade para sempre. Nossa herança é uma “possessão adquirida” (Efésios 1:14). “E por isso é Mediador de um novo testamento, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo do primeiro testamento, os chamados recebam a promessa da herança eterna” (Hebreus 9:15). A soma de tudo é: a morte e derramamento do sangue de Jesus Cristo têm feito e efetivamente obteve para todos aqueles que estão envolvidos na redenção eterna, o que consiste em Graça aqui e Glória no além.

Assim, completas, claras e evidentes são as expressões nas Escrituras sobre as finalidades e efeitos da morte de Cristo, de forma que um homem pensaria em cada uma se pudesse correr e ler! Mas, nós devemos permanecer: entre todas as coisas na religião Cristã, não há nada mais escassamente questionado do que isso, o que parece ser um princípio mais fundamental. A persuasão espalhada é que há um resgate geral a ser pago por Cristo por todos: que Ele redimiu a todos e cada um – não apenas por muitos, Sua Igreja, os eleitos de Deus, mas também por todos da descendência de Adão.

Agora, os mestres desta opinião veem mui bem e facilmente que a finalidade da morte de Cristo que temos a partir do que a Escritura afirma; se aqueles antes recontados para serem frutos imediatos e produtos posteriores, então uma destas duas coisas seguirá, necessariamente: ou, primeiro, Deus e Cristo falharam em Sua finalidade proposta e não cumpriram o que pretendiam – a morte de Cristo não sendo um meio apropriadamente proporcional ao fim almejado... Afirmar isto parece-nos uma injúria blasfema à Sabedoria, Poder e Perfeição de Deus, como também depreciativo à dignidade e valor da morte de Cristo. Ou então, todos os homens, toda a posteridade de Adão, deve ser salva, purificada, santificada e glorificada o que certamente eles não serão. Pelo menos a Escritura e a lamentável experiência de milhões não consentirão.

       Portanto, para lançar uma cor tolerável sobre a persuasão deles, eles devem negar e o fazem que Deus ou Seu Filho tenha qualquer objetivo absoluto ou final na morte ou derramamento de sangue de Jesus Cristo, ou que tal coisa foi imediatamente adquirida e comprados por isso, como antes relatamos. Mas que Deus não planejou nada, nem houve qualquer coisa feita por Cristo, que nenhum benefício emerge imediatamente por Sua morte, mas que é comum a todos e a cada alma, embora nunca tão malditamente aqui e eternamente condenados no porvir, até que um ato de alguns, não adquiridos para eles por Cristo (pois se fosse, por que não têm eles isto todos igualmente), a saber, a fé, que os distingue dos outros. Agora, isto me parece [enfraquecer] a virtude, valor, frutos e os efeitos da satisfação e da morte de Cristo, servindo, inclusive, como uma base e fundamento a uma perigosa, desconfortável e errônea persuasão – Eu declararei, com o auxílio do Senhor, o que a Escritura promete quanto a ambas as coisas, tanto aquela assertiva que é intencionada a provar e pela qual é trazido para a sua comprovação; desejando o Senhor por meio de Seu Espírito que nos guie em toda a verdade, para dar-nos a compreensão de todas as coisas, e, se alguém tem uma mentalidade contrária, que revele a ele também.

Fonte
Extraído de “A Morte da Morte na Morte de Cristo”, nas Obras de John Owen, Vol. 10, 157- 160, The Banner of Truth Trust,

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