Índia: Conheça os Templos do Sexo

terça-feira, outubro 25, 2016


(Lawrence Maximo)

“Em dezembro de 2013, a comunidade LGBT da Índia sofreu uma derrota jurídica quando a Suprema Corte decidiu que a homossexualidade era um crime no país. Em agosto deste ano, o governo indiano tentou - e, durante alguns dias, conseguiu – bloquear 800 sites considerados pornográficos”.

Tal conservadorismo tem imperado no país nos últimos séculos, graças à influência do puritanismo de grupo étnicos e religiosos, incluindo muçulmanos, colonizadores britânicos e mesmo a casta sacerdotal dos brâmanes.

Mas a índia nem sempre foi assim
As regras de conduta sexual eram bem mais relaxadas antes do século 13 e davam importância igual ao secular e ao sagrado. Sexo era disciplina curricular na educação dos indianos e o primeiro estudo sexual do mundo, o Kama Sutra, foi escrito na Índia entre os séculos 4 a.C. e 2 d.C.

Tradição “apimentada”
Observadores mais atentos, por sinal, poderão encontrar lembranças desse passado mais liberal ao redor do país. Elas estão esculpidas ou pintadas em “templos do sexo”. No estado de Orissa, por exemplo, está o Templo do Sol, cujas muralhas estão adornadas com motivos eróticos.

Porém, o mais explícito exemplo de arte sacra erótica pode ser encontrado na pequena cidade de Khajuraho, no estado central de Madhya Pradesh. Seus templos da religião hindu foram declarados Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco em 1986. Apenas 22 dos 85 edifícios originalmente construídos pela dinastia Chandela, entre os anos 950 e 1050, ainda sobrevivem.

À primeira inspeção, os templos parecem locais “normais”. No entanto, um olhar mais atento revela a natureza intensamente erótica das gravuras. Os personagens são homens, mulheres e animais, em temas que vão de orgias à bestialidade. O estado de conservação das gravuras é impressionante.

Há várias teorias para explicar a existência dessa “pornografia”. Há quem diga que os reis Chandela eram seguidores dos princípios tântricos - pregam o equilíbrio entre as forças masculinas e femininas na natureza – e promoviam suas crenças nos templos que construíram.

Outras teorias giram em torno da existência dos templos como locais de aprendizado e adoração – e o uso de imagens sexuais era considerado uma representação do milagre da vida.

E o hinduísmo tradicionalmente considera o sexo uma parte essencial da vida, o que pode explicar a razão de imagens de cunho sexual estarem intercaladas nos templos com outras mostrando atividades como orações e guerras. O fato de não estarem escondidas sugere que seus criadores queriam que fossem vistas por todos.

Curiosamente, não há razão para explicar por que estes templos existem em Khajuraho. Afinal, não há sequer provas suficientes de que algum dia houve um reino no local.

A sobrevivência dos templos do sexo, então, pode ser atribuída justamente a seu isolamento em uma região que em tempos antigos era coberta por uma densa floresta, e só redescoberta pelo explorador britânico TS Burt em 1838. E Burt só fez a expedição depois de muita insistência de conhecidos, pois não esperava encontrar coisa alguma de interessante em uma região tão remota.

Os templos também conseguiram escapar do recente patrulhamento moral da sociedade indiana: nos últimos anos, artefatos foram destruídos e produtos tão diversos como livros e pinturas foram proibidos.

Mais surpreendente é que entre os turistas que visitam os templos estão famílias indianas, ouvindo atentamente às explicações dos guias e analisando de perto as esculturas mais “picantes” nas paredes de templos como o Kandariya Mahadeva. Ninguém levanta as sobrancelhas ou dá risadinhas durante a visita. Talvez por conta da associação com a religião, mas ao mesmo tempo Khajuraho parece oferecer uma lição de tolerância à indiana.

NOTA: Patrulhamento moral da sociedade indiana? Como assim, conservadorismo? Que hipocrisia! Não vamos generalizar toda uma sociedade, mais sabemos da duplicidade e o realismo da Índia – uma síndrome de mulheres sendo estupradas em pleno transportes públicos na capital e vários lugares do país. O tráfico de crianças vendidas e exploradas pelo forte comércio de prostituição infantil - estarrecedor e público, todos nós sabemos dessa realidade. Diante da matéria, vou resumir um termo técnico e antropológico¹:

A cultura pode ser definida como algo adquirido, aprendido e também acumulativo, resultante da experiência de várias gerações. Porém, enquanto aprendiz o ser humano pode sempre criar, inventar, mudar. Ele não é um simples receptor, mas também um criador de cultura. Por isso a cultura está sempre em processo de mudança”.

Que mudança é essa sobre esse contexto histórico-religioso? Segundo a UNICEF (ONU) a Índia viola o direito de milhões de crianças e mulheres com trabalhos escravos, como o tráfico e comércio de explorações sexuais!!!

Fonte

[1] - LARAIA, Roque de Barros. Cultura. Um conceito antropológico. Rio de Janeiro: Zahar, 2009, 23ª edição.

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